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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A pipa e a flor

Poucas pessoas conseguiram definir tão bem os caminhos do amor como Rubem Alves, numa fábula surpreendente, cujos personagens são: uma pipa e uma flor.
A história começa com algumas considerações de um velho sábio…

Ele observa algumas pipas presas aos fios elétricos e aos galhos das árvores e afirma que é triste vê-las assim, porque as pipas foram feitas para voar. Acrescenta que as pessoas também precisam ter uma pipa solta dentro delas para serem boas. Mas aponta um fator contraditório: para voar, a pipa tem que estar presa numa linha e a outra ponta da linha precisa estar segura na mão de alguém.


Poder-se-ia pensar que, cortando a linha, a pipa pudesse voar mais alto, mas não é assim que acontece…Se a linha for cortada, a pipa começa a cair.


Em seguida, ele narra a história de um menino que confeccionou uma pipa. Ele estava tão feliz, que desenhou nela um sorriso. Todos os dias, ele empinava a pipa alegremente. A pipa também se sentia feliz e, lá do alto, observava a paisagem e se divertia com as outras pipas que também voavam.


Um dia, durante o seu vôo, a pipa viu lá embaixo uma flor e ficou encantada, não com a beleza da flor, porque ela já havia visto outras mais belas, mas alguma coisa nos olhos da flor a havia enfeitiçado. Resolveu, então, romper a linha que a prendia à mão do menino e dá-la para a flor segurar.

Quanta felicidade ocorreu depois!


A flor segurava a linha, a pipa voava; na volta, contava para flor tudo o que vira. Acontece que a flor começou a ficar com inveja e ciúme da pipa. Invejar é ficar infeliz com as coisas que os outros têm e nós não temos; ter ciúme é sofrer por perceber a felicidade do outro quando a gente não está perto. A flor, por causa desses dois sentimentos, começou a pensar: se a pipa me amasse mesmo, não ficaria tão feliz longe de mim... Quando a pipa voltava de seu vôo, a flor não mais se mostrava feliz, estava sempre amargurada, querendo saber com quem a pipa estivera se divertindo. A partir daí, a flor começou a encurtar a linha, não permitindo à pipa voar alto. Foi encurtando a linha, até que a pipa só podia mesmo sobrevoar a flor.


Esta história, segundo conta o autor, ainda não terminou e está acontecendo em algum lugar neste exato momento.


Há três finais possíveis para ela:
1 - A pipa, cansada pela atitude da flor, resolveu romper a linha e procurar uma mão menos egoísta.
2 - A pipa, mesmo triste com a atitude da flor, decidiu ficar, mas nunca mais sorriu.
3 - A flor, na verdade, era um ser encantado. O encantamento quebraria no dia em que ela visse a felicidade da pipa e não sentisse inveja nem ciúme.


Isso aconteceu num belo dia de sol e a flor se transformou numa linda borboleta e as duas voaram juntas.

Imagem: Pinterest

…É apenas uma história, mas que acontece na vida de muits pessoas…Uma boa reflexão.

Tenham um lindo final de semana!!!

2 comentários:

  1. Várias coisas para refletir... linda história. beijo

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  2. Muito legal essa história.

    Pensei no menino e na pipa, ela trocou ele pela flor que lhe parecia encantadora e deixou para trás quem lhe dava amnor e liberdade. Ele a perdeu para o encanto alheio e pode ter continuado soltando pipas ou desistido delas.

    A vida é assim, feita de encontros, desencontros...Há que se refletir antes, durante e depois de nossas escolhas de cada dia.

    Beijo e obrigada pelas visitinhas e comentários, sempre doces e preciosos.

    ResponderExcluir

Obrigada por seu precioso comentário, vou amar ler. Volte sempre que quiser!!

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